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Depois da liberdade: ensaio sobre a dissolução ontológica do problema da dominação social
Depois da liberdade: ensaio sobre a dissolução ontológica do problema da dominação social
"Uma intervenção que merece ser lida com toda a atenção que seu rigor conceitual e sua aposta política exigem.” (Prefácio de Eduardo S. N. Silva)
"Sem pretender substituir os complexos diagnósticos frankfurtianos sobre a socialização total, Venturini os suplementa de uma maneira absolutamente surpreendente e vertiginosa.” (Posfácio de Luiz Philipe de Caux)
https://editorappgfilufmg.com/publicacoes/rvdepois/
Sinopse:
“Depois da liberdade” examina a reconfiguração do problema clássico da dominação social no âmbito da teoria crítica a partir do privilégio recente concedido à noção genérica de “poder” nos debates atuais. De situação histórica e social a ser superada politicamente, a dominação passou a ser entendida, ontologicamente, como algo “inscrito no nível do ser”. Como essa transformação se deu? Quais suas razões teóricas? Quais suas consequências políticas? Acima de tudo, qual o seu fundo material? Essas são as questões que o livro pretende responder. Partindo da incorporação do pensamento de Foucault e Butler por autores ligados à tradição da teoria crítica alemã insatisfeitos com os modelos de seus antecessores (Habermas e Honneth em especial), o livro expõe os compromissos e as apostas que estão por trás desse processo. O ponto chave é que, no novo quadro, a transformação social e subjetiva é assumida como sempre possível, seja qual for a situação, e essa mesma possibilidade é tomada em si como o lócus de uma liberdade que é condição da crítica. Em suma, não mais se transforma (e se critica) para ser livre, mas porque se é livre. Com esse movimento, a possibilidade da liberdade deixa de ser uma questão empírica, histórica e sociológica, e passa a ser assumida, independentemente de questões de fato, como uma variável independente que nunca é tomada em si mesma como objeto direto da investigação. O objetivo último do livro é o de pôr à prova esse quadro. Isso se dá apontando-se para as incongruências de seus pressupostos, mas, sobretudo, pela introdução de uma hipótese teórica pela qual, por dentro deles, demonstra-se que essa liberdade poderia muito bem ser eliminada a partir do momento em que aquela transformação venha a tornar-se impossível em razão de fatores históricos e materiais, configurando-se uma espécie de “jaula de ferro”. A plausibilidade histórica e sociológica de uma situação como essa reside nas “restrições objetivas” impostas, em nível global, por um artefato técnico particular: as armas nucleares. A sua capacidade de destruição e a extensão dos seus efeitos – que estão para além do uso efetivo – cria limitações importantes à ideia de que uma realidade alternativa seria possível de todo. Aquilo que se deve retirar como resultado, porém, é menos a conclusão fatalista de que a liberdade não existe, do que a exigência teórica de que a possibilidade da liberdade seja investigada materialmente e radicalmente, e não simplesmente assumida a priori. Para isso, no entanto, aquele quadro aqui examinado precisa ser abandonado.
Sumário:
Prefácio
1 Introdução
2 Abolição da “dominação”
2.1 Introdução
2.2 A urgência de uma definição adequada de “poder”
2.3 “Déficit político”
2.4 Abolição da “dominação”
2.4.1 Ontologização da liberdade
2.4.2 Restrição dos critérios de uso de “dominação”
2.4.3 Dominação como índice de liberdade
2.5 Conclusão
3 Força ontológica
3.1 Introdução
3.2 A ambivalência do poder
3.3 Força ontológica
3.4 Ilusão de não-liberdade
3.5 Conclusão
4 A jaula de ferro da ontologia – dissuasão como forma social
4.1 Introdução
4.2 Restrições objetivas de natureza técnica
4.3 Jogos e regras
4.4 Compromissos irrevogáveis
4.6 Conclusão
5 Epílogo
Posfácio
Referências bibliográficas
Trecho:
“The only thing preventing a holocaust is just so long as no one pulls the trigger – this is unthinkable” (Reagan, 1983). Apesar de ter sido pronunciada por Reagan, essa frase poderia muito bem estar nas entrelinhas da Dialética do esclarecimento. Há, me parece, uma conexão íntima, “estrutural”, entre a “dissolução da racionalidade política moderna em uma forma irracional de racionalidade” (Cerutti, 1987), a “dissolução da Dialética do esclarecimento” levada a cabo por Foucault e Habermas (Honneth, 1997), e aquilo que chamei aqui de dissolução ontológica do problema da dominação social. A “impensabilidade” da “ordem nuclear” expressa a mesma aporia com que Adorno e Horkheimer se defrontaram (Adorno; Horkheimer, 2006, p. 11) e que fora posteriormente rejeitada como uma impostura.” (p. 207)
Autor:
Rodolpho Venturini é doutor em Filosofia pela UFMG (2025) na linha de Ética e Filosofia Política com pesquisa financiada pela Capes.
Ficha Técnica/ISBN:
Título: Depois da liberdade: ensaio sobre a dissolução ontológica do problema da dominação social
Autor: Rodolpho Venturini
Editora: Ed. PPGFIL-UFMG
Páginas: 280
Formato: PDF
ISBN: 978-65-02-23892-9
DOI: 10.5281/zenodo.21686667