01/04/2025

Heidegger After Heidegger: on the 50th Anniversary of his Death

Revista Portuguesa de Filosofia - Faculdade de Filosofia de Braga (Portugal)

Em 26 de maio de 2026, completam-se 50 anos da morte de Martin Heidegger. Por ocasião desse marco, a Revista Portuguesa de Filosofia tematiza o legado filosófico do autor nos últimos 50 anos e o modo como o seu trabalho ecoa no pensamento atual.

Martin Heidegger é um dos pensadores mais originais, influentes e controversos do século XX, e provoca as reações mais díspares, que vão do acolhimento entusiástico -por vezes francamente mimetizador -,  à desqualificação sumária, decorrente, sobretudo, de seu envolvimento com o nazismo, do qual nunca se retratou. Entre o acolhimento acrítico e a desqualificação sumária há, no entanto, uma herança a ser investigada, pois Heidegger é um autor cujo pensamento teve decisiva capilaridade na produção filosófica do século XX, e, com o conhecimento mais extenso do conjunto de seus escritos nas últimas décadas, intensificou-se um importante esforço de análise compreensiva de seu legado, assim como a integração deste ao debate filosófico atual.

Heidegger, aluno de Edmund Husserl, a quem dedicou sua obra mais famosa: Ser e tempo, tornou-se ele próprio mestre de muitos filósofos destacados, como Hannah Arendt, Hans-Georg Gadamer, Herbert Marcuse, Emmanuel Levinas e tantos outros. Além disso, embora não figurasse como mestre direto de outros grandes autores, seu pensamento penetrou no século XX de maneira irrevogável, afinal, como ignorar a
Auseinandersetzung de Derrida em relação ao pensamento heideggeriano? A apropriação crítica do Mitsein realizada por autores como Jean-Luc Nancy e Roberto Esposito? A distância crítica assumida por Jean-Luc Marion acerca da posição heideggeriana na ontoteologia? E, ainda, as ressalvas feita por Giorgio Agamben em relação à ontologia da vida? Além da recepção e da confrontação com o pensamento heideggeriano que marcaram boa parte da produção filosófica do século XX, é preciso pôr em tela as implicações da publicação póstuma de alguns volumes da Gesamtausgabe como, por exemplo, Beiträge zur Philosophie (GA 65), Das Ereignis (GA 71), Vorträge ( GA 80) e, sobretudo, Schwarze Hefte (GA 94;98). A publicação
póstuma reconfigura, aprofunda e redimensiona o pensamento de Heidegger. Ademais, fornece elementos cruciais para uma análise crítica acerca da relação entre a obra e o envolvimento político do filósofo.

Por último, mas não menos importante, resta destacar as apropriações e releituras hodiernas do pensamento de Heidegger que, embora tenham aporte no pensamento do autor, empreendem investidas filosóficas para além da letra heideggeriana.
Dentre os casos exemplares dessas apropriações e releituras, podemos destacar: o pensamento sobre a técnica e o Antropoceno; a interpretação do modo de ser da vida e os recentes estudos sobre comportamento, cognição e afetividade dos animais; as Stimmungen e a fenomenologia da enfermidade.

Em face das considerações precedentes, podemos dizer que a questão guia da presente chamada é: para além do comentário do texto heideggeriano, nos últimos 50 anos, o que Heidegger permitiu e permite pensar?

Para mais informações: https://www.rpf.pt/images/pdfs/cfp82_2.pdf e rpf.aletheia@gmail.com

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