O AUSENTE NA HISTORIOGRAFIA À LUZ DO CONCEITO HEIDEGGERIANO DE DÍVIDA

Inconfidentia v.4, n.7 • Revista de Filosofia Inconfidentia

Autor: SANTOS, Sanqueilo Lima; ALVARES, Mariana Marcelino Silva

Resumo:

Na terceira parte de A memória, a história, o esquecimento (2000) Ricoeur discute, no primeiro capítulo, o ser-para-a-morte heideggeriano e as possibilidades de diálogo entre a filosofia e a história. Nesse sentido, Ricoeur expõe o tratamento da morte na historiografia, entendendo-o como o equivalente escriturário do rito social do sepultamento. Segundo Ricoeur, o ato de sepultar é transformado em discurso na historiografia. A partir desse discurso, os mortos estão junto aos vivos, enquanto ausentes que se fazem presentes na escrita. Nesse gesto de sepultura, a historiografia trata os mortos como entes não simplesmente dados que, no entanto, não mais estão presentes. Para pensar o discurso historiográfico, que se equivale ao rito social da sepultura, Ricoeur retoma o conceito de estar em dívida,sobre o qual Heidegger se debruçou em Ser e Tempo. Com efeito, Ricoeur, ao tratar do ausente que se faz presente na escrita, fala sobre o silêncio daqueles que foram vencidos e que são anônimos na história. Nesse contexto, Ricoeur convoca o conceito heideggeriano de dívida para pensar o discurso historiográfico. O presente trabalho visa expor a abordagem de Ricoeur sobre o tratamento da morte na historiografia, pensada a partir dadívida.

Abstract:

In the third part of Memory, History, Forgetfulness (2000) Ricoeur discusses, in the first chapter, Heidegger's being-for-death and the possibilities for dialogue between philosophy and history. In this sense, Ricoeur exposes the treatment of death in historiography, understanding it as the scriptural equivalent of the social rite of burial. According to Ricoeur, the act of burying is transformed into discourse in historiography. From this discourse, the dead are together with the living, while absent who are present in writing. In this gesture of burial, historiography treats the dead as entities not simply data that, however, are no longer present. To think of the historiographic discourse, which is equivalent to the social rite of the grave, Ricoeur retakes the concept of being in debt on which Heidegger bent on Being and Time. Indeed, Ricoeur, in dealing with the absentee who is present in writing,speaks about the silence of those who have been overcome and who are anonymous in history. In this context, Ricoeur summons the Heideggerian concept of debt to think the discourse historiográfico. In this sense, this paper aims to expose Ricoeur's approach to the treatment of death in historiography, thought from debt.

ISSN: 2318-8138

Texto Completo: http://inconfidentia.famariana.edu.br/wp-content/uploads/2020/04/7-5.pdf

Palavras-Chave: morte, historiografia, historicidade.

Revista de Filosofia Inconfidentia

A Revista de Filosofia InconΦidentia surgiu como veículo de divulgação e incentivo à pesquisa da Faculdade  “Dom Luciano Mendes – DLM”. O nome recebido está relacionado ao fato da instituição se situar na região dos inconfidentes em Minas Gerais – Ouro Preto e Mariana, principalmente. Ela possui caráter filosófico e tem periodicidade de seis meses. O objetivo é tanto divulgar as pesquisas docentes realizadas no sítio da instituição como dialogar com articulistas provenientes de outras instituições de ensino superior da área, sejam nacionais ou estrangeiras. A InconΦidentia recebe artigos originais, frutos de pesquisas filosóficas, resenhas de livros e tradução de textos. 

Sobre os organizadores da Revista de Filosofia InconΦidentia:

EDVALDO ANTONIO DE MELO é doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG), bolsista Capes (programa DPE), com pesquisa na área da ética. Mestre em História da Filosofia pela mesma Universidade, tendo realizado pesquisa relacionada à ética e à linguagem em Emmanuel Lévinas. Pós-graduação lato-sensu pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP - MG). Bacharel em Teologia pelo Centro de Estudos Superior de Juiz de Fora (CESJF). Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Diretor Acadêmico, Coordenador do Curso de Filosofia e Professor na Faculdade Dom Luciano Mendes (FDLM / Mariana-MG). Integra o grupo de pesquisa Fenomenologia e genealogia do corpo da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE / Belo Horizonte-MG). Possui experiência docente e de pesquisa no ensino superior e se interessa por questões referentes à ética, à linguagem, à ontologia, à metafísica, à fenomenologia e à literatura. Membro do CEBEL: Centro Brasileiro de Estudos Levinasianos.

MAURÍCIO DE ASSIS REIS é doutor em Filosofia Contemporânea pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre em Estética e Filosofia da Arte pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), especialista em Filosofia também pela UFOP e bacharel em Filosofia pela Faculdade Arquidiocesana de Mariana, atual Faculdade Dom Luciano Mendes; sua pesquisa refere-se às relações entre experiência , linguagem e história e seu estatuto na concepção da unidade da obra de Theodor W. Adorno. Atualmente, é Professor Assistente II pela Faculdade Dom Luciano Mendes, atuando no curso de Filosofia; Professor Nível I, Grau A, pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), atuando junto ao Departamento de Ciências Humanas da unidade de Barbacena e nos cursos de Pedagogia e Ciências Sociais; e Professor pela Univiçosa, atuando nas áreas de filosofia e ciências sociais no curso de Direito e na área de bioética nos cursos de Fisioterapia e Odontologia. É autor de “Adorno: estudos sobre experiência e pensamento” e organizador de “Entre o ser e o não-ser”; membro permanente do Grupo de Trabalho (GT) de Teoria Crítica da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF).

CRISTIANE PIETERZACK é doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. É Perita em Magistério Eclesial e Normativa Canônica pelo Studium de Roma (2015). Mestra em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (2013) com especialização em Filosofia Prática. Mestra em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (2009), com ênfase em fenomenologia e hermenêutica. Graduada em Filosofia pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (2005). Tem experiência de docência universitária e de práxis filosófica. É pesquisadora na área de hermenêutica, ética e ciências da família. É coordenadora do Centro de Estudos sobre a família, da Domus ASF.