ALINGUAGEM,OENCOBRIMENTODOOUTROEAÉTICADALIBERTAÇÃOEMSINÔNIMOSDENADAVLAPID
Edição: Janeiro-Junho: v. 1 n. 53 (2026) • Revista Ideação
Autor: GABRIELA LOPES VASCONCELLOS DE ANDRADE
Resumo:
O artigo analisa o filme Sinônimos (2019), de Nadav Lapid, à luz do mito da Torre de Babel e da teoria decolonial de Enrique Dussel, articulando ainda reflexões de Jacques Derrida e Walter Mignolo. O estudo evidencia como a linguagem opera simultaneamente como tirania e possibilidade de libertação em contextos de migração e diáspora, ao situar o sujeito na condição de estrangeiro permanente. A narrativa do protagonista Yoav, jovem israelense que busca se tornar francês pela renúncia à própria língua e identidade, é lida como alegoria das hierarquias centro/periferia e dos processos de encobrimento do outro que sustentam a modernidade eurocêntrica. Assim, propõe-se que o filme, ao tematizar a incomunicabilidade e a babelização, revela a violência simbólica e material inscrita na língua e nas práticas de exclusão. Ao mesmo tempo, destaca a potência da arte e da linguagem como instâncias de resistência, desbabelização e criação de novas formas de pertencimento. Assim, Sinônimosé interpretado como metáfora da ética da libertação e da transmodernidade, conceitos centrais em Dussel que afirmam a diferença e reivindicam um horizonte crítico para além das lógicas coloniais.
Abstract:
The article examines Nadav Lapid’s Synonyms(2019) through the lens of the Tower of Babel myth and Enrique Dussel’s decolonial theory, while also drawing on reflections by Jacques Derrida and Walter Mignolo. The study highlights how language operates simultaneously as tyranny and as a possibility for liberation in contexts of migration and diaspora, situating the subject as a permanent foreigner. The narrative of Yoav, a young Israeli who attempts to become French by renouncing his own language and identity, is read as an allegory of the center/periphery hierarchies and the processes of “concealment of the Other” that underpin Eurocentric modernity. The article argues that the film, by addressing incomunicability and babelization, reveals the symbolic and material violence inscribed in language and exclusionary practices. At the same time, it emphasizes the potential of art and language as spaces of resistance, debabelization, and creation of new forms of belonging. Thus, Synonymsis interpreted as a metaphorof Dussel’s concepts of the ethics of liberation and transmodernity, which affirm difference and envision a critical horizon beyond colonial logics.
ISSN: 2359-6384
DOI: https://doi.org/10.13102/ideac.v1i53.12252
Texto Completo: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/article/view/12252/10269
Palavras-Chave: Sinônimos; Nadav Lapid; Enrique Dussel; decolonialidade; Ética da libertação.
Revista Ideação
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