HANNAH ARENDT, A QUESTÃO JUDAICA E A FORMAÇÃO DE UMA FILÓSOFA EM TEMPOS SOMBRIOS

Edição: Janeiro-Junho: v. 1 n. 53 (2026) • Revista Ideação

Autor: ANDRÉ LUIZ PEREIRA SPINIELI

Resumo:

A partir das décadas de 1920 e 1930, Hannah Arendt desenvolveu um profundo interesse pela questão judaica, o que permitiu a emergência de uma filosofia política preocupada com as matrizes, os padrões e as origens do totalitarismo. Nesse sentido, ela entendeu que o projeto totalitário se diferencia de absolutamente todo modelo político existente, germinando na cisão e na crise da tradição filosófica ocidental com o agir político. Não obstante tenha debatido amplamente a questão com autores como Karl Jaspers, Gershom Scholem e Heinrich Blücher, a filósofa permaneceu fiel à sua postura, engajando-se politicamente em defesa dos direitos judeus. Neste texto, exploramos o surgimento de Hannah Arendt como uma filósofa política em tempos sombrios, apresentando como ela compreendeu o totalitarismo e suas implicações para a questão judaica. Recorremos fundamentalmente aos textos políticos da autora, além de referências biográficas e trabalhos que debatem propriamente o problema judaico em seu pensamento. Concluímos que a análise arendtiana da questão judaica foi um aspecto central de sua obra, o que possibilitou a abordagem do antissemitismo como ideologia política e os vínculos dos judeus com as instituições sociais e estatais. A filósofa não restringiu sua investigação ao contexto alemão, mas buscou expandir as suas arestas para outros campos, como o stalinismo soviético. A partir disso, a sua filosofia, firmada em um “pensamento sem corrimões”, propôs uma visão corajosa, clara e crítica sobre a realidade, enfocando a questão judaica como uma pergunta sobre o papel dos judeus na história e no combate aos totalitarismos.

Abstract:

Between the 1920s and 1930s, Hannah Arendt developed a profound interest in the Jewish question, which contributed to the emergence of a political philosophy focused on investigating the origins and patterns of totalitarianism. For Arendt, the totalitarian project differs from all previous political models, emerging from the crisis and rupture of the Western philosophical tradition with political action. Although she debated the issue extensively with thinkers such as Karl Jaspers, Gershom Scholem, and Heinrich Blücher, Arendt maintained her critical position and remained politically engaged in the defense of Jewish rights.This text explores the emergence of Arendt as a political philosopher in dark times, presenting her understanding of totalitarianism and its implications for the Jewish question. To this end, we rely primarily onthe author’s political writings, as well as on references and studies that analyze the Jewish problem in her thought. We conclude that Arendt’s analysis of the Jewish question occupies a central place in her work, making it possible to understand antisemitism as a political ideology and to examine the historical relations between Jews and social and state institutions. Arendt proposed courageous views about reality, focusing on the Jewish question as an inquiry into the role of Jews in history and in the struggle against totalitarianisms.

ISSN: 2359-6384

DOI: https://doi.org/10.13102/ideac.v1i53.12516

Texto Completo: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/article/view/12516/10276

Palavras-Chave: Hannah Arendt, Totalitarismo, Questão Judaica, Crise, Filosofia Política.

Revista Ideação

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