O DIÁLOGO ENTRE DUSSEL E KRENAK SOBRE O CORPO EM RELAÇÃO À COLONIALIDADE DA CIÊNCIA MODERNA

Edição: Janeiro-Junho: v. 1 n. 53 (2026) • Revista Ideação

Autor: LÍGIA LOPES RUEDA KOCIAN E SÔNIA APARECIDA SIQUELLI

Resumo:

O presente artigo,sobrea análise histórico-filosófica e a constituição da ciência moderna,buscou verificar a tensão com o projeto europeu de modernidade e com a colonialidade do saber. Parte-seda consolidação do paradigma científico entre os séculos XVI e XVII que sugeriu uma reorganização ontológica fundada na separação entre sujeito e objeto, razão e corpo, humanidade e natureza, instituindo uma racionalidade universal e neutra. Fundamentado em Dussel (2012; 1995) e na crítica cosmológica de Krenak (2019), é possível dizer que tal racionalidade resultou na desincorporação do conhecimento e na exclusão sistemática de Epistemologias Outras. Com base emuma abordagem reflexiva e filosófica, realizou-se uma análise de textos clássicos da modernidade e obras contemporâneas que problematizam a colonialidade do saber, buscando articular dimensão histórica e reflexão conceitual. A racionalidade científica moderna, ao afirmar-se como universal e neutra, ocultou suas condições históricas de produção e contribuiu para a marginalização de saberes corporificados e situados. Nesse contexto, o corpo pode ser compreendido como categoria epistemológica capaz de tensionar o universalismo abstrato e abrir espaço para um horizonte pluriversal de produção do conhecimento.

Abstract:

The present article, based on a historical-philosophicalanalysis of the constitution of modern science, sought to examine the tension with the European project of modernity and with the coloniality of knowledge. It is grounded in the argument concerning the consolidation of the scientific paradigm between the 16th and 17th centuries, which suggested an ontological reorganization based on the separation between subject and object, reason and body, humanity and nature, thereby establishing a universal and neutral rationality. Grounded in Dussel (2012; 1995) and in the cosmological critique of Krenak (2019), it is possible to state that such rationality resulted in the disembodiment of knowledge and in the systematic exclusion of Other Epistemologies. It is based on a reflective and philosophical approach, an analysis of classical texts of modernity and contemporary works that problematize the coloniality of knowledge, seeking to articulate the historical dimension and conceptual reflection. Modern scientific rationality, by asserting itself as universal and neutral, concealed its historical conditions of production and contributed to the marginalization of embodied and situated knowledges. In this context, the body can be understood as an epistemological category capable of challenging abstract universalism and opening space for a pluriversal horizon of knowledge production.

ISSN: 2359-6384

DOI: https://doi.org/10.13102/ideac.v1i53.12762

Texto Completo: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/article/view/12762/10279

Palavras-Chave: História da Ciência; Filosofia da Ciência; Colonialidade do Saber; Corporeidade; Ética da Libertação.

Revista Ideação

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