O ABSURDO, O SUICÍDIO E A REVOLTA: UMA LEITURA CAMUSIANA DE A BIBLIOTECA DA MEIA-NOITE

Edição: Janeiro-Junho: v. 1 n. 53 (2026) • Revista Ideação

Autor: ERICK SANTOS DA SILVA

Resumo:

 

Este artigo analisa o romance A Biblioteca da Meia-Noite, de Matt Haig, à luz da filosofia do absurdo formulada por Albert Camus, particularmente a partir das reflexões desenvolvidas em O Mito de Sísifo. Parte-se da hipótese de que a trajetória da protagonista, Nora Seed, pode ser compreendida como uma reelaboração literária das tensões entre a busca humana por sentido e a indiferença do universo, características da condição absurda. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter teórico-interpretativo, fundamentada em revisão bibliográfica e em uma leitura hermenêutica da obra literária. A análise evidencia que o romance não apenas tematiza o desespero existencial e a questão do suicídio, mas também aponta para uma afirmação da vida que se aproxima da noção camusiana de revolta, entendida como uma resposta lúcida e não escapista ao absurdo da existência. Conclui-se que A Biblioteca da Meia-Noitedialoga de forma consistente com a filosofia de Camus ao sugerir que a vivência autêntica do presente, apesar da ausência de um sentido transcendente, constitui uma possibilidade ética de afirmação da vida

Abstract:

This article analyzes the novel The Midnight Library, by Matt Haig, in light of the philosophy of the absurd formulated by Albert Camus, particularly based on the reflections developed in The Myth of Sisyphus. It is argued that the trajectory of the protagonist, Nora Seed, can be understood as a literary reworking of the tension between the human search for meaning and the indifference of the universe, which characterizes the absurd condition. Methodologically, this is a qualitative, theoretical-interpretative study grounded in bibliographic review and a hermeneutic reading of the literary work. The analysis shows that the novel not only addresses existential despair and the issue of suicide but also points toward an affirmation of life that resonates with Camus’ notion of revolt, understood as a lucid and non-escapist response to the absurdity of existence. It is concluded that The Midnight Libraryestablishes a consistent dialogue with Camus’ philosophy by suggesting that the authentic experience of the present, despite the absence of transcendent meaning, constitutes an ethical possibility for affirming life.

ISSN: 2359-6384

DOI: https://doi.org/10.13102/ideac.v1i53.12432

Texto Completo: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/article/view/12432/10284

Palavras-Chave: Absurdismo. Albert Camus. Matt Haig. Literatura. Filosofia.

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